fbpx

Selamento imediato da dentina (IDS): um conceito que pode mudar sua adesão.

colteneadm




Descrita pela primeira vez em 1992, por Pashley, a técnica de Selamento Imediato de Dentina (IDS) indicava a aplicação imediata e fotoativação do sistema adesivo imediatamente após o preparo dentário e antes da moldagem ou selamento provisório do elemento dentário, em casos de restaurações indiretas. A técnica foi aprimorada pelo uso de uma resina de baixa viscosidade e baixo módulo de elasticidade após a aplicação do adesivo, para o selamento do tecido dentinário.

A aplicação de camada de sistema adesivo na dentina exposta recém preparada, cria uma interface livre de contaminantes, capaz de evitar duas grandes barreiras para uma adequada adesão, que são: a contaminação dentinária e o colapso da camada híbrida antes de sua completa polimerização, mantendo as características ideais para a adesão.

O correto manejo dos tecidos dentais no processo de preparação da estrutura dentária em tratamentos restauradores é primordial para a garantia de sucesso e longevidade das restaurações. Evidências científicas apoiam a prévia aplicação do adesivo à dentina recém-cortada quando áreas significativas de dentina são expostas durante o preparos dentários. Pois essa dentina recém preparada é o substrato ideal para a adesão a dentina e quando associada ao IDS permite a pré-polimerização do agente adesivo a estrutura dentária, resultando em melhor resistência de união e reduzindo o estresse dentinário durante o estágio de provisionalização.

O IDS têm se demonstrado efetivo na melhoria da longevidade e da resistência das forças de adesão entre a restauração e a estrutura dentária, contribuindo ainda para a diminuição da sensibilidade dentinária, na proteção do complexo pulpar e na diminuição do risco de infiltração na interface dente-restauração. Os resultados de força de adesão encontrados para técnicas adesivas convencionais variam entre 2 a 12 Mpa. Enquanto a realização do selamento imediato de dentina gerou um aumento significativo na força de adesão, obtendo valores que variam entre 15 a 58 Mpa.

A primeira etapa do selamento dentário imediato consiste na identificação do tecido dentinário exposto. A etapa seguinte é a definição da técnica adesiva a ser utilizada, seguindo as recomendações do fabricante para aplicação, evaporação do solvente e fotopolimerização. Após a aplicação do sistema adesivo conforme as indicações do fabricante, indica-se a inserção de uma resina de baixa viscosidade (resina fluida) para nivelamento da cavidade e selamento dentinário adicional, que deve ser polimerizada por 10-20 segundos. Seguidamente a essa polimerização inicial, aplica-se sobre essa superfície uma camada de glicerina em gel. Com o intuito de bloquear a entrada de ar e formação da camada de inibição de oxigênio, que interfere na polimerização de materiais de impressão.

Finalizando todas essas etapas, o processo de reabilitação pode ser procedido, avaliando a quantidade do preparo, necessidade de acabamento ou finalização, para posterior moldagem e provisionalização do dente a ser restaurado. As aplicações clínicas dessa técnica são as mais variadas, pode ser empregada em reabilitações com restaurações indiretas parciais, como inlays, onlays e overlays, que normalmente possuem preparos mais expulsivos e conservadores, necessitando de alta capacidade adesiva para estabilização e retenção. Pode ainda ser aplicada em próteses fixas com coroa total, que possuem preparos pouco conservadores, possuindo maior área de dentina exposta e, consequentemente, tendo maior risco de sensibilidade pós-operatória. Portanto, a associação do selamento imediato de dentina com a otimização do preparo, integra a classe de conceitos modernos que aliados, originam resultados mais previsíveis e duradouros.

Não esqueçam desse conceito no próximo preparo e até a próxima.

 

Autores:

Leandro de Moura Martins
Professor da Universidade Federal do Amazonas

Vanessa Alves Bezerra
Mestranda em Odontologia da Universidade Federal do Amazonas

Rafael Thomaz Mar da Silva
Mestrando em Odontologia da Universidade Federal do Amazonas